terça-feira, 8 de dezembro de 2020

[Viajando na História] O mês de Novembro na História

Alguns meses atrás comecei a postar sobre algumas datas históricas e monumentos lá no Instagram e  mensalmente estou fazendo um resumo aqui no blog, que continuo com este post de hoje: acontecimentos e pontos turísticos relacionados ao mês de Novembro ao longo dos anos! História sempre foi a minha matéria preferida na escola e não é à toa que destinos históricos sempre estão entre os meus preferidos. Para qualquer lugar que eu vá, eu pesquiso sobre a História do local/país antes e durante a viagem. Acredito que não faz nenhum sentido você se deslocar até o outro lado do mundo para tirar uma selfie na frente de um monumento sem ter a mínima ideia do porquê aquele se tornou um monumento importante/famoso, por exemplo.



[Viajando na História] O mês de Novembro na História - Lisboa destruída por terremoto, maremoto e incêndio
Lisboa sendo destruída por terremoto, maremoto e incêndio em 1755


Fora que dá um outro sabor para as viagens quando você entende de onde vieram os nomes das ruas/praças/bairros/estações de metrô etc (por exemplo Avenida 9 de Julho em São Paulo ou estação de metrô Oranienburger Tor em Berlim). É muito mais gostoso ir embora de um lugar entendendo o que viu ao invés de simplesmente ter passado para cumprir tabela ou riscar da listinha de "obrigações".


[Viajando na História] O mês de Novembro na História - Conjunto Arquitetônico de Tarraco declarado Patrimônio da Humanidade pela UNESCO (Tarragona, Espanha)
Ruínas do anfiteatro romano em Tarragona, Espanha


Pensando em explorar mais esse aspecto das viagens aqui no blog, inventei a #ViajandonaHistoria lá no Instagram no blog e desde abril/2020 estou postando sobre diversos momentos históricos e locais que se tornaram pontos turísticos. Mensalmente vou trazer essas informações para o blog, mas é claro que estes posts não tem a intenção de ser algo definitivo sobre o tema - são milhares de acontecimentos importantes todos os dias pelo mundo e vou focar naqueles que acho mais relevantes no geral e somente nos destinos que já são tratados aqui no blog. Em novembro, falamos de Lisboa, Polônia, UNESCO, Minas Gerais, Madri e Tarragona (Espanha).


Viajando na História - Maio
Viajando na História - Junho
Viajando na História - Julho
Viajando na História - Agosto
Viajando na História - Setembro


Aqui no blog já são dezenas de posts aprofundando sobre diversos aspectos históricos dos destinos por onde passei!




Lisboa destruída por terremoto, maremoto e incêndio


Em 2020, completou 265 anos do terremoto que praticamente destruiu Lisboa. O sismo no dia 1/nov/1755 foi seguido por tsunami e incêndios, que mataram até 50 mil portugueses e atingiu também até a costa do Algarve (os números variam de 10 a 50 mil). Sismólogos estimam que o tremor tenha atingido entre 8,7 e 9 na escala Ritcher, com seu epicentro em alto mar (o máximo na escala que mede a intensidade de abalos sísmicos é 10). Era o feriado do Dia de Todos os Santos e as ruas e igrejas estavam cheias de fiéis naquela manhã. No Algarve, registrou-se ondas de até 30m e regiões do Marrocos, Açores, ilha da Madeira, ilhas do Caribe e até a costa de Pernambuco e da Bahia foram atingidos por fortes ondas.  Cerca de 85% das construções de Lisboa foram destruídas, incluindo palácios famosos e bibliotecas, conventos, igrejas e hospitais - alguns pelo terremoto e outros pelo fogo que se seguiu, causado por lareiras e velas. Entre as construções famosas destruídas estavam a  Casa da Ópera e o Palácio Real, que se situava na margem do Tejo, onde hoje existe o Terreiro do Paço. Na biblioteca, perderam-se 70 mil volumes e centenas de obras de arte, incluindo pinturas de Ticiano, Rubens e Correggio.

Entre as igrejas, foram severamente danificadas a Sé de Lisboa, e as Basílicas de São Paulo, Santa Catarina, São Vicente de Fora e a da Misericórdia e o Convento do Carmo, ruínas famosas até hoje. No Hospital Real de Todos os Santos, centenas de pacientes morreram queimados e foram perdidos registros históricos das viagens de Vasco da Gama e de Cristóvão Colombo. O rei José I e sua família escaparam da tragédia pq estavam fora da cidade.


O Marquês de Pombal (Sebastião José de Carvalho e Melo) foi uma figura importante na reconstrução de Lisboa após o terremoto, projetando uma cidade nova e ordenada e grandes praças e avenidas largas e retas. Grande parte dos gastos foram pagos com o ouro de Minas Gerais, o que causou mais revolta na colônia. Os prédios que receberam a prioridade na reconstrução foram as Igrejas, mostrando a devoção portuguesa ao catolicismo, mesmo com o desastre tendo ocorrido em um feriado religioso.


[Viajando na História] O mês de Novembro na História - Lisboa destruída por terremoto, maremoto e incêndio
A Praça do Comércio ou Terreiro do Paço em Lisboa foi muito afetada pelo terremoto de 1755 - Michael Gaylard  CC BY 2.0


[Viajando na História] O mês de Novembro na História - Lisboa destruída por terremoto, maremoto e incêndio
Ruínas do Convento do Carmo em Lisboa - Bert K - CC BY 2.0


Os inquéritos do Marquês de Pombal sobre o terremoto foram os primeiros estudos sobre terremoto e por isso ele é considerado o pai da sismologia. A reconstrução de Lisboa também deu outra cara à capital portuguesa, que ficou conhecido como estilo pombalino. A Baixa de Lisboa, a área mais destruída, ficou conhecida como Baixa Pombalina - os novos edifícios ali receberam uma estrutura de madeira no meio da alvenaria, conhecida como gaiola pombalina, que serviria para evitar destruição em um futuro tremor.

O terremoto que destruiu Lisboa foi assunto de estudo para Voltaire, Jean-Jacques Rousseau e Immanuel Kant sobre a "vontade divina", vida urbana e aglomerações e busca de explicação natural para o desastre.  Foi a primeira e até agora maior catástrofe natural europeia devidamente registrada. Ocorreu em um período em que a comunicação e a preservação da memória tinham avançado no continente, tanto que centenas de gravuras e imagens da tragédia foram confeccionadas em Portugal e no exterior.  "O terremoto teve um impacto no imaginário popular que pode ser comparado com o horror provocado pelo 11 de Setembro de 2001. Foi um evento que chocou o mundo da época. Já vi até comparações com a Bomba de Hiroshima. A repercussão foi imensa pela magnitude da destruição", diz o historiador inglês Edward Paice, autor de A Ira de Deus, uma reconstituição do terremoto. 


 


📸 1 - Ruínas do Convento do Carmo - Bert K - CC BY 2.0
📸 2 - Manuel Menal - CC BY 2.0
📸 5 - gravura alemã de 1755 com os sobreviventes em meio às ruínas de Lisboa
📸 6 - "Marquês de Pombal" e a cidade de Lisboa, de Louis-Michel van Loo (1707-1771) e Claude-Joseph Vernet (1714-1789), Museu da Cidade, Lisboa  
📸 7 - Gaiola Pombalina - Galinhola - CC BY SA 3.0
📸 8 - Terreiro do Paço Deensel - CC BY 2.0
📸 9 - Michael Gaylard  CC BY 2.0





Nascimento de Marie Curie



Leitores da revista BBC World History elegeram as mulheres com maior impacto na história do mundo. Para eles, a maior delas foi Marie Curie, cientista que conduziu pesquisas pioneiras sobre radioatividade e ajudou a desenvolver o raio-X. Ela tornou-se a primeira pessoa a ganhar dois prêmios Nobel, fato mais relevante por ser em áreas diferentes e por ela ser mulher em uma época extremamente machista.

[Viajando na História] O mês de Novembro na História - Nascimento de Marie Skłodowska Curie
A cientista polonesa Maria Skłodowska Curie


Quer ver um polonês feliz? Use o nome completo dela - Maria Skłodowska Curie (o Curie é sobrenome do marido francês dela e os compatriotas não gostam que o sobrenome polonês de nascença da cientista seja apagado). Maria nasceu em 7/nov/1867 em Varsóvia (Polônia) e morreu em 4/jul/1934 na França e é uma  das personalidades polonesas mais idolatradas, juntamente com Copérnico e Chopin. Ela foi a primeira mulher a ser laureada com o Nobel e a única a ganhar o prêmio por 2 vezes (em áreas distintas), além de ter sido a primeira professora mulher na Universidade de Sorbonne. O primeiro Nobel em física foi juntamente com o marido e Henri Becquerel em 1903 pela descoberta da radioatividade (termo cunhado por Maria) e o segundo em química em 1911, sozinha. O elemento químico polônio foi descoberto por Maria e seu marido em 1897 e recebeu o nome em homenagem à sua terra natal - ela também descobriu e isolou o elemento rádio. Ela usava uma máquina de raio-x móvel e assim ajudou a salvar soldados na Primeira Guerra Mundial, junto com sua filha Irene (que em 1935 também recebeu um prêmio Nobel em Química).

A casa de sua família em Varsóvia hoje é um museu sobre a cientista e quase ao lado está a igreja de São Jacinto, onde ela recebeu a primeira comunhão. Ela havia se mudado pra Paris para estudar já que a Universidade de Varsóvia não aceitava mulheres naquela época e lá conheceu Pierre Curie. Maria morreu aos 67 anos devido a leucemia, provavelmente causada por exposição à radiação e está enterrada em Paris juntamente com seu marido.  Em 1995, a cientista se tornou a primeira mulher a ser enterrada por méritos próprios no Panteão de Paris. Durante o período da hiperinflação nos anos 90, sua efígie foi impressa nas notas de banco de 20 000 zloty na Polônia.



[Viajando na História] O mês de Novembro na História - Nascimento de Marie Skłodowska Curie
Casa da família de Maria Skłodowska Curie, que hoje abriga o museu sobre a cientista


O elemento 96 da tabela periódica, o Cúrio, símbolo Cm foi batizado em honra do Casal Curie. Ela chegou inclusive visitado o Brasil em 1926 interessada na fama das águas radioativas de Águas de Lindoia (aqui no interior de SP)!

Eu faço parte dos pensam que a Ciência é belíssima. Um cientista em um laboratório não é apenas um técnico, ele é também uma criança diante de fenômenos naturais que o impressionam como um  conto de fada. Não podemos acreditar que todo progresso científico se reduz a mecanismos, máquinas, engrenagens, mesmo que essas máquinas tenham sua própria beleza”. Marie Curie  


📸 1 - museu visto de frente -  Adrian Grycuk - CC BY SA 3.0 pl
📸 2 - rua do museu
📸 3 - museu por dentro -  Adrian Grycuk - CC BY SA 3.0 p
📸 4 - mural comemorando os 100 anos do 2o prêmio Nobel - Nihil novi - CC BY 3.0  
📸 5 - igreja de São Jacinto
📸 6 - Maria em 1920 aproximadamente






Fundação UNESCO


"A UNESCO foi criada em 16 de novembro de 1945 com a missão de integrar os países e promover a paz entre eles por meio da educação, das ciências e da cultura. Daquela época para cá muita coisa mudou, mas a solução continua a mesma". (texto @unescobrasil)

Acredito que o que a UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura - agência da ONU com sede em Paris) mais influencia no turismo são os locais declarados patrimônio da Humanidade pelo órgão. Estar nessa lista pode facilitar para conseguir patrocínio para restauros e preservação por exemplo, mas o aumento da mídia também pode trazer um turismo desenfreado para sítios arqueológicos ou lugares de natureza frágil. A UNESCO criou o World Heritage Centre para coordenar a preservação e a restauração dos patrimônios históricos da humanidade, com atuação em 112 países. 

Existem patrimônios imateriais também (por exemplo, uma festa, uma dança, um costume etc) - escrevi sobre o festival valenciano Las Fallas aqui - e são mais de 100 posts sobre lugares pelo mundo que receberam essa classificação honrosa aqui no blog. Peguei fotos aleatórias que estavam fáceis no meu celular para ilustrar essa postagem no instagram no blog:

📸 1 a 6 - centro histórico de Olinda com os casarões antigos preservados
📸 7 a 10 -  centro histórico de Varsóvia - a parte da cidade antiga foi completamente arrasada durante a Segunda Guerra Mundial, mas foi restaurada o mais fiel possível posteriormente (clique no link anterior para ler sobre o assunto).






Morte do Aleijadinho



Em 18/nov/1814, morre o escultor Antônio Francisco Lisboa, conhecido como Aleijadinho, em Ouro Preto (MG). Entre suas obras, estão Os Doze Profetas em pedra-sabão e os Passos da Paixão de Cristo em Congonhas (📸 4 a 10) e a Igreja São Francisco de Assis em Ouro Preto (📸 1 a 3), mas o maior escultor brasileiro de arte barroca deixou vários outros trabalhos apesar de seus problemas físicos.







Inauguração do Museu do Prado (Madri, Espanha)


Inaugurado em 19 de novembro de 1819, o Museu do Prado é considerado o principal museu de Madri (Espanha). Foi mandado construir por Carlos III de Espanha, mas só foi terminado 2 reinados depois, por Fernando VII, tendo inclusive servido como quartel militar. O prédio do museu é considerado a maior obra do  neoclassicismo espanhol e inaugurou com apenas 311 obras espanholas. Foi um dos primeiros museus públicos da Europa e o acervo foi ampliado por conta de junção com outro museu,  doações, heranças e novas aquisições. O museu de arte se destaca pelas pinturas e esculturas, principalmente  pintura espanhola, francesa, flamenga, alemã e italiana, com quadros de  Francisco Goya,  El Greco, Velázquez, Bosch, Rubens, Van Dyck, Rembrandt,  Albrecht Dürer, Lucas Cranach, Fra Angelico, Botticelli,   Ticiano, Tintoretto e muitos outros pintores famosos. Recebe cerca de 3 milhões de pessoas anualmente e algumas de suas obras mais famosas estão no carrossel abaixo:

📸 1 - Museu do Prado - Emilio J. Rodríguez Posada/CC BY-SA 2.0
📸 3 - As Meninas, por Diego Velázquez 
📸 4 - Francisco Goya, The Third of May 1808, 1814
📸 5 - Albrecht Dürer Adam and Eve, 1507
📸 6 - El matrimonio Arnolfini, de Jan van Eyck, 
📸 7 - Hieronymus Bosch, The Garden of Earthly Delights, entre 1480 e 1505
📸 8 - Francisco Goya, La maja vestida, (circa 1797–1800)
📸 9 - Francisco Goya, La maja desnuda, (circa 1797–1800) 

📸 10 - Joost Cornelisz Droochsloot - Paisagem invernal




Visitei o Museu do Prado em 2001 em uma viagem com meus pais e depois em 2005 viajando sozinha e deve ser o único museu que repeti a visita - vale a pena demais!




Conjunto Arquitetônico de Tarraco declarado Patrimônio da Humanidade pela UNESCO (Tarragona, Espanha)


Tarragona é uma cidade tranquila na Catalunha (Espanha) e conta com diversos sítios declarados como patrimônio pela UNESCO em 30/nov/2000.

Tarraco é o antigo nome romano da cidade (na verdade, abreviação do nome que era gigante), que aparece em citações desde o século VaC. A cidade era a capital do Império Romano na região hispânica - Hispânia Citerior Tarraconense - e por isso teve uma grande importância e construções imponentes, se consolidando no século IdC. Posteriormente, passou pelos domínios dos visigodos e dos árabes até ser conquistada por condes catalães no século XII. Hoje é um importante pólo petroquímico e tem um dos portos mais importantes da Espanha.

O conjunto arqueológico em apresenta diversos destaques, como as muralhas, o foro romano, o circo romano, o foro colonial o teatro e o anfiteatro (📸1 e 2) romanos! Além disso, existem várias outras atrações como a catedral (📸 4 e 5) e o museu arqueológico incrível. Dá para conhecer tudo isso em um bate-volta perfeito saindo de Barcelona ou na viagem entre Barcelona e Valência, dormindo em Tarragona para não ficar cansativo demais.




[Viajando na História] O mês de Novembro na História - Conjunto Arquitetônico de Tarraco declarado Patrimônio da Humanidade pela UNESCO (Tarragona, Espanha)
Maquete de Tarraco, a Tarragona de antigamente!


[Viajando na História] O mês de Novembro na História - Conjunto Arquitetônico de Tarraco declarado Patrimônio da Humanidade pela UNESCO (Tarragona, Espanha)
Museu arqueológico em Tarragona, que gostei muito de visitar





Fontes: revistas Aventuras na História, posts do blog, wikipedia, site da UNESCO, artigo 1artigo 2facebook oficial do Turismo da Polôniaartigo 3.


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