quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

Saudades dos lugares que visitamos ou das pessoas que conhecemos nas viagens?

Você é daqueles que adora ir sempre para o mesmo lugar nas férias (tipo o pessoal que vai frequentemente para a Disney) ou daqueles que se recusa a repetir destino, já que a vida é curta e a lista dos sonhos é gigante? Tem ainda os que gostam tanto de um lugar que vão para outras cidades, mas dão um jeito de sempre incluir uma paradinha básica na sua preferida (tenho conhecidos que vão muito para a Europa e toda vez fazem questão de incluir Paris no roteiro, mas não deixam de conhecer outros lugares).

Saudades dos lugares que visitamos ou das pessoas que conhecemos nas viagens?
Foto: HenningE - Pixabay


Me peguei pensando sobre o assunto nas últimas semanas e não cheguei a nenhuma conclusão. Não sou nenhum extremo nem outro (mas mais inclinada a não repetir destino). Mesmo quando repito país, não costumo repetir as cidades - Alemanha e Espanha estão aí de prova - 4 vezes em cada país). Minha bucket list me deixa doida porque já sei que não vou conhecer todos os lugares antes de morrer.


Para ler ouvindo:




Impossível - Biquini Cavadão

"Tudo bem quando termina bem
E os seus olhos, e os seus olhos não estão rasos d'água

Mas eu sei que no coração ficaram muitas palavras
Um vocabulário inteiro de ilusão
Tudo que viceja, também pode agonizar

E perder seu brilho em poucas semanas
E não podemos evitar que a vida trabalhe com o seu relógio invisível
Tirando o tempo de tudo que é perecível
É impossível, é impossível esquecer você

É impossível esquecer o que vivi
É impossível esquecer, o que senti
Tudo que morre fica vivo na lembrança

Como é difícil viver carregando um cemitério na cabeça
Mas antes que eu me esqueça, antes que tudo se acabe
Eu preciso, eu preciso, dizer a verdade
É impossível, é impossível esquecer você

É impossível esquecer o que vivi
É impossível esquecer, o que senti
É impossível!
É impossível, é impossível esquecer você

É impossível esquecer o que vivi
É impossível esquecer, o que senti
Tudo que morre fica vivo na lembrança

Como é difícil viver carregando um cemitério na cabeça
Mas antes que eu me esqueça,
Antes que eu me esqueça, antes que tudo se acabe
Eu preciso, eu preciso, dizer a verdade
É impossível, é impossível esquecer você

É impossível esquecer o que vivi
É impossível esquecer, o que senti
É impossível!
É impossível, é impossível esquecer você

É impossível esquecer o que vivi
É impossível esquecer, o que senti
La, la, la, la!"





As minhas viagens são em geral para sair da rotina, aprender e sim, para visitar pontos turísticos que sempre ouvi falar e queria conhecer. Mas essa história/dúvida/questionamento fica muito pior/mais difícil quando estamos falando de viagens onde o intuito maior é ter mais contato com os locais, por exemplo em intercâmbios (já fiz 5).

Saudades dos lugares que visitamos ou das pessoas que conhecemos nas viagens?
Em 1999, fiz um intercâmbio na Dinamarca. Em 2001, voltei para rever minha família - essa da foto comigo é a minha irmã dinamarquesa!

Saudades dos lugares que visitamos ou das pessoas que conhecemos nas viagens?
Ruas do centro de Odense (Dinamarca). Foto: Kim Wyon


Voltar à mesma cidade que você já passou vários meses da sua vida parece (e geralmente é) uma ideia bem interessante. Ver como o local e as pessoas mudaram e o que continua igual. Andar pelas mesmas ruas lembrando de tudo, mas com uma experiência de vida diferente (em geral depois de muitas mudanças na vida e nos pensamentos etc).

Alguns meses atrás, eu e um grupo de blogueiros até fizemos uma blogagem coletiva sobre lugares que voltaríamos e eu coloquei Hilton Head Island (EUA) na minha listinha de locais para voltar - cidade onde fiz intercâmbio em 2005. Escrevi no post que as pessoas não seriam as mesmas, mas que queria voltar mesmo assim. Poucos meses atrás, me deparei com a realidade que agora é literalmente impossível que todas as pessoas daquele intercâmbio voltem para o mesmo lugar ao mesmo tempo (ou que todos se encontrem em qualquer outro lugar do mundo) porque um colega que trabalhou comigo está morto. Ele não era das pessoas que eu mais me conectei naquela época, mas foi uma das pessoas que me ensinou tudo sobre aquele estágio em um hotel. Desde que ele foi embora de Hilton Head, a gente nunca mais se falou - ele não era adepto a redes sociais como eu e como outros que mantive contato. Mesmo assim, a noticia me abalou muito e fiquei pensando em tantas outras pessoas que passaram pelas minhas viagens, foram importantes na minha trajetória (ou nem tanto) e que eu nunca mais vou ver. O Rafael do blog 360 Meridianos tem um texto maravilhoso sobre esse assunto - as pessoas que não veremos mais.


Saudades dos lugares que visitamos ou das pessoas que conhecemos nas viagens?
Harbour Town (marina logo atrás do "nosso" hotel The Inn at Harbour Town) e principal ponto turístico de Hilton Head Island, SC, EUA

É óbvio que eu já sabia que não iria me reencontrar com todos os amigos de intercâmbio e viagens em geral, mas quando um deles morre, a sensação é muito estranha. Para cada Ina, Eissa, Fie, Astrid, Anne Lisbeth e Juan que eu reencontrei pela vida, sempre vão ter outros Uriel, Faith, Mark, Matt e Isaac que vão ficar para sempre na saudade. Ou não! Às vezes, você está sozinha numa hamburgueria em Berlim em 2014 e um menina egípcia se aproxima porque te reconhece da viagem que ela fez para o Brasil em 2009 (true story). (Quase) Sempre há esperança!


RIP Adam

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